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Habonim Dror Brasil

1 · Bases

Quem somos e no que acreditamos

Uma rede nacional de educação judaica não formal, com 81 anos de história no Brasil.

Quem somos

O Habonim Dror é um movimento juvenil judaico sionista socialista, chalutziano e kibutziano. Presente no Brasil desde 1945, é hoje a maior tnuá (movimento juvenil judaico) do país, com presença em 10 cidades e conexão com uma rede global presente em mais de 15 países.

Nossa proposta é simples de enunciar e exigente de sustentar: formar líderes por meio da educação não formal, do exemplo pessoal e da vivência coletiva, de jovens para jovens.

Isso significa que nossos educadores são os próprios madrichim. São bogrim que passaram pelo processo de formação da tnuá e escolheram assumir a responsabilidade de transmiti-lo à geração seguinte. É essa cadeia de formação, em que cada geração educa e prepara a próxima, que sustenta o movimento há oito décadas.

Ideologias: os quatro pilares

Judaísmo Cultural Humanista

Uma vivência cultural e uma relação com a tradição judaica centradas na valorização do ser humano, abertas a diferentes formas de expressão e identificação com o judaísmo.

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O Judaísmo é um dos pilares fundamentais do Habonim Dror e constitui uma dimensão central de nossa identidade e de nossa prática educativa. Adotamos uma perspectiva de Judaísmo Cultural Humanista, que valoriza a cultura, a história, as tradições e as fontes judaicas, tendo o ser humano e os valores humanistas como centro.

Entendemos o Judaísmo como uma experiência plural, que pode ser vivenciada de diferentes formas. Valorizamos tanto as tradições e fontes clássicas quanto suas releituras e ressignificações contemporâneas, buscando construir uma relação pessoal e coletiva significativa com a cultura judaica.

Reconhecemos como legítimas diferentes formas de identificação e pertencimento ao povo e à cultura judaica, respeitando a diversidade existente dentro da comunidade judaica.

Sionismo Socialista

A defesa do direito à autodeterminação do povo judeu no Estado de Israel, associada à construção de uma sociedade mais justa, igualitária e solidária.

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Somos sionistas porque reconhecemos o povo judeu como um povo e defendemos seu direito à autodeterminação, entendendo o Estado de Israel como expressão desse direito em um território de profunda relação histórica e espiritual com o povo judeu.

Somos sionistas-socialistas porque entendemos que a autodeterminação nacional deve estar associada à construção de uma sociedade democrática, igualitária, solidária e socialmente justa.

Buscamos uma sociedade na qual a cooperação, a igualdade e a responsabilidade coletiva tenham papel central, com garantia das necessidades básicas e redução das desigualdades socioeconômicas. Acreditamos que transformações sociais podem ser construídas democraticamente por meio da organização coletiva, de iniciativas populares e de experiências comunitárias.

Nossa relação com Israel é, portanto, também uma relação de responsabilidade. Ser sionista significa participar criticamente da construção de uma sociedade israelense mais democrática, igualitária e coerente com nossos valores, reconhecendo suas contradições e desafios.

Chalutzianismo ou Pioneirismo

A disposição para agir antes de esperar, assumir responsabilidades e liderar pelo exemplo na construção de algo melhor.

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Ser chalutziano significa transformar valores em prática.

O Chalutzianismo representa uma postura ativa diante da realidade: identificar aquilo que precisa ser transformado, assumir responsabilidade e construir alternativas coletivamente. Não se trata apenas de uma referência histórica aos pioneiros que participaram da construção do Estado de Israel, mas de uma forma de compreender a relação entre ideologia e ação.

Acreditamos que a coerência ideológica não está na reprodução automática de modelos do passado, mas na capacidade de interpretar o presente, assumir responsabilidades e criar novas formas de intervenção social.

Kibutzianismo ou Coletividade

A valorização da vida em comunidade, da cooperação e do trabalho coletivo como princípios vividos na prática.

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Somos kibutzianos porque reconhecemos nos valores que constituíram o movimento kibutziano uma importante síntese de nossa visão de sociedade: igualdade, liberdade, cooperação, responsabilidade coletiva, trabalho e vida comunitária, sem abrir mão da individualidade.

O kibutz é uma referência histórica e uma experiência concreta de construção coletiva, mas não é o único modelo possível de realização desses valores. Diante das transformações pelas quais passaram os kibutzim, entendemos o kibutzianismo como uma inspiração para diferentes formas de organização da vida.

Assim, a Hagshamá pode acontecer por meio de diferentes experiências comunitárias, no campo ou na cidade, em Israel ou na diáspora, desde que estejam comprometidas com a construção de relações mais cooperativas, igualitárias e socialmente responsáveis.

Esses quatro pilares não são apenas conceitos apresentados aos nossos chaverim. Eles orientam a forma como o Habonim Dror pensa sua educação e são considerados na construção de cada peulá, machané e projeto da tnuá.

Uma ideologia em movimento

O Habonim Dror entende sua ideologia como um horizonte de transformação. O Takanon explicita não apenas aquilo que somos hoje, mas também aquilo que buscamos construir. Por isso, nossa relação com a ideologia deve ser simultaneamente comprometida e crítica.

Ser Dror significa conhecer nossa história e nossos princípios, questioná-los, atualizá-los diante da realidade e buscar formas concretas de colocá-los em prática.

Nossa ideologia é, portanto, um convite à construção: de uma vida judaica significativa, de uma sociedade mais justa, de uma relação responsável com Israel e com a diáspora e de comunidades baseadas na cooperação, na democracia, na igualdade e na responsabilidade coletiva.

História

O Habonim Dror chegou ao Brasil em 1945 e, desde então, acompanhou diferentes momentos da formação e consolidação das comunidades judaicas do país. Os snifim, núcleos locais da tnuá, foram surgindo ao longo das décadas.

81 anos depois, a lógica que sustenta o movimento permanece a mesma: jovens que crescem na tnuá assumem responsabilidades, tornam-se madrichim e participam da formação da geração seguinte.

  1. 1945 Curitiba e Porto Alegre
  2. 1948 Rio de Janeiro e São Paulo
  3. 1957 Recife
  4. 1958 Bahia
  5. 1982 Belo Horizonte
  6. 1996 Campinas
  7. 2009 Manaus
  8. 2013 Fortaleza

Torá Educativa

A Torá Educativa é o documento que organiza nossa concepção pedagógica. Ela é revisada a cada dois anos, durante a veidá, e construída a partir do diálogo entre referências da educação e a experiência concreta dos próprios chaverim da tnuá.

Entre as principais referências estão:

Paulo Freire

A práxis, entendida como ação acompanhada de reflexão, e a educação como ato político e problematizador.

Janusz Korczak

O respeito profundo à criança e a construção de uma relação de confiança e reciprocidade entre educador e educando.

Jean Piaget e Lev Vygotsky

A compreensão de que a educação deve considerar cada etapa do desenvolvimento e acontece na relação entre o indivíduo e seu meio.

Autogestão

A compreensão de que o chanich é sujeito de sua formação, capaz de decidir, questionar, participar e assumir responsabilidade por suas escolhas.

O objetivo não é formar jovens que simplesmente acumulem conteúdos. Buscamos formar pessoas críticas, com identidade judaica construída de maneira consciente e capazes de assumir responsabilidades e liderar pelo exemplo.

Dror no Brasil hoje

Os 10 snifim

Rede internacional

Presença em mais de 15 países, incluindo África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, México, Nova Zelândia e Uruguai.

O Habonim Dror não é uma iniciativa local que foi replicada em diferentes cidades. É uma rede construída para conectar diferentes comunidades. Um chanich de Fortaleza e um chanich de Porto Alegre percorrem uma mesma jornada educacional, encontram-se nas mesmas machanot centrais e fazem parte de uma mesma geração de liderança judaica nacional.

Parceiros: kehilot e CCHDs

O Habonim Dror atua em parceria com as comunidades judaicas de cada cidade. Cada snif mantém uma relação direta com sua kehilá de referência.

Essa relação é fundamental para o trabalho da tnuá. O Habonim Dror não forma jovens líderes de maneira isolada. Forma pessoas que participam da vida comunitária e que, ao longo do tempo, podem assumir responsabilidades e contribuir para a continuidade dessas próprias kehilot.

Algumas kehilot parceiras

  • Centro Israelita do Paraná · Curitiba
  • Federação Israelita de Pernambuco · Recife
  • Federação Israelita do Estado de Minas Gerais · Belo Horizonte
  • Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob · Campinas
  • Sociedade Israelita da Bahia · Salvador
  • Sociedade Israelita do Ceará · Fortaleza

Casas de Cultura Habonim Dror

No Rio de Janeiro, em São Paulo e em Porto Alegre, essa relação também se concretiza por meio das Casas de Cultura Habonim Dror, as CCHDs. Esses espaços funcionam como pontos de encontro entre a tnuá e a comunidade local e fortalecem a presença permanente do movimento em cada cidade.